Bolo de rolo é reconhecido como Patrimônio Cultural de Pernambuco


Uma das delícias mais famosas da culinária nordestina, o bolo-de-rolo acaba de virar “lei”. Sancionado pelo governador pernambucano Eduardo Campos no final de abril, o projeto apresentado pelo deputado Pedro Eurico (PSDB) reconhece como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Pernambuco o bolo enrolado feito de finíssimas camadas com goiabada.
“A Unesco recomendou, em 1985, que todos os países começassem a mapear os seus patrimônios imateriais, por perceber que a cultura de um povo não se faz só de tijolos e pedras. É também cantos, danças, jeitos de ser e de falar, crenças populares e sabores. A escolha de um bolo, como símbolo desse patrimônio, é o melhor reconhecimento de que a culinária faz parte da própria alma do nosso povo”, opina a pesquisadora gastronômica Maria Lectícia Monteiro Cavalcanti.
“O bolo-de-rolo nasceu a partir de adaptação do ‘colchão de noiva’ português – trocando, na receita, seu recheio de amêndoa por um de goiaba. E passou-se a enrolar esse bolo em camadas cada vez mais finas. Como um rolo. O nome vem daí. A receita é a mesma, em todos os Estados da região. Mas o de Pernambuco é diferente de todos os outros, pela delicadeza na maneira de enrolar as camadas”, explica Maria Lectícia. Hoje, o bolo-de-rolo é uma das delícias mais encomendadas em Pernambuco.


Bolo de rolo faz sucesso também entre os gaúchos
Depois de morar mais de 20 anos no Nordeste e aprender lá o segredo de diversas receitas da região, a gaúcha Guida Angeli resolveu trazer para Porto Alegre o bolo-de-rolo. “Desde a primeira vez em que apresentei o bolo aqui, numa das feiras de Natal da Sociedade Germânia, os pedidos não pararam mais”, conta ela, que hoje é conhecida como a “Guida do Bolo-de-Rolo”. “Na verdade, fiquei até surpresa ao perceber o interesse dos gaúchos pelo doce. A cada ano, o boca-a-boca aumenta”, diz animada.
Guida se orgulha de já ter até “exportado” bolo-de-rolo do Sul para o Nordeste. “Tenho clientes que acham as camadas do meu bolo mais delicadas do que muitos encontrados em Recife”, diverte-se. “Mas não há nenhum segredo de preparo, não: é tudo uma questão de prática e paciência, já que a receita é trabalhosa”, diz Guida. Cada bolo, feito artesanalmente, chega a levar mais de duas horas para ficar pronto.
“As camadas, finíssimas, são pinceladas na forma e assadas uma a uma”, explica.
Além da massa feita com a receita original, outro detalhe que faz o sucesso de Guida é a embalagem caprichada e os formatos dos bolos. “Certo dia, vi que o bolo-de-rolo também ficava bonito numa versão em miniatura e criei um pacotinho especial para ele, como acontece com os bem-casados”, conta. A novidade foi tão bem aceita que os bolos viraram presentinhos gourmets e até lembrancinhas de casamento, além de figurarem em cestas e cafeterias concorridas da cidade, como o Café do Porto, Alecrim, Cravo e Canela, Casa dos Sabores, Empório Brasil, Machri, Tangerina e Botequim da Letras. “Fico muito feliz de ver o interesse por coisas tão brasileiras, de nossas raízes”, afirma Guida. “Meu plano agora é ampliar cada vez mais meu “cardápio” regional.”
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